sábado, 25 de janeiro de 2014


O último a sair que feche a portɄ!


Nos meus encontros e arrumos com a História Contemporânea de Portugal, deparei-me com um panfleto sindical, datado de Dezembro de 1973, do Sindicato dos Empregados de Escritório e Caixeiros de Santarém, a apelar à luta e à reivindicação do pagamento do Subsídio de Natal.

 
Ora, esta curiosa e interessante memória documental avivou-me as coincidências do tempo e dos acontecimentos. De facto, hoje, em vésperas de comemorar 40 anos do 25 de Abril de 74, sou comparativamente transportado para as amarguras, os desesperos, as injustiças e os despropósitos de um estado de situação, também ele comparável, à negra e insensível governança fascizante, de então.

Já pouco me resta, sobre os argumentos do estar e do ser, para explicar às minhas filhas o sentir e o significado dessa bela data de Abril, cantada e havida 40 anos atrás. A mais velha, a meses de concluir um mestrado, prepara-se para emigrar sem sequer ponderar, em alternativa, poder ficar. A mais nova, nos seus nove anos de diferença, já lhe pede guarita de cama e apoio, lá nesse lugar para onde a irmã quer ir viver, porque sente que será, também esse, o seu destino, como forma de fugir a este presente que, constantemente, se prolonga na palavra e na acção de homens que, apenas, vendem medos e demónios, enquanto usurpam, em nome dos seus donos e dos seus colaboracionismos neoliberais, as nossas esperanças e os nossos sonhos.

De facto, talvez seja verdade que o ‘chaimite’ que, saído do Largo do Carmo, subiu a Avenida da Liberdade, ia vazio e não levava o fim daquele outro tempo decrépito. Ele recriou-se na nossa tolerância democrática e, agora, na oportunidade da liberdade que lhe demos, tomou-nos a vida e o destino, enquanto, subtilmente, nos rouba o sonho construído e ilude-nos com a esperança de querer e desejar que se cumpram os desígnios de um único e possível Abril.

 
Fotos de Carlos Granja - 25 de Abril de 1974