Apontamento quase diário, quase independente, quase intolerante, quase radical...
sábado, 28 de setembro de 2013
APONTAMENTOS DA MEMÓRIA II
ERICEIRA - Em jeito de lembrança de estórias ouvidas e vistas tomadas.
«A Ericeira é uma das mais concorridas praias da Extremadura. Alli costumam veranear muitas familias não só da capital comode muitos outros pontos e o concelho de Torres é... talvez um dos que mais contigente de banhistas dá aquella pittoresca praia. A Ericeira, como todas as povoações da beira-mar possue magnificos ares e dadas as condições de salubridade da terra, pode-se alli viver com a maior comodidade. Tem magnificos passeios e bellezas naturaes, como as Furnas que são dignas de admiração, especialmente nos dias de mar agitado. A Foz, um dos passeios mais predilectos dos banhistas é o ponto de reunião para os pic-nics»
In, Annuario da Folha de Torres Vedras, 1907.
Foto de Artur Pastor, datada entre finais da década de 50 e princípios da década de 60.
APONTAMENTOS DE MEMÓRIA
Sintra e as Estancias de Veraneio e de Turismo
“Grand Hotel Costa”
«Sintra, o delicious Eden, consagrada pelo entusiasmo da lira bironesca, é uma região única no mundo para os prazeres do veraneio e do turismo. A frescura, a amenidade, a brandura do seu clima, o recorte encantador da sua paisagem, a linha airosíssima das suas frondes e dos seus relevos alpestres – tudo lhe dá o valor de um local de atracção e de espairecimento.»
«Ilustração Portugueza». 13 de Agosto de 1921 (II série, nº 808. p.114)
Nas voltas e arrumos que, de vez em quando, dou aos meus papéis e às minhas lembranças, encontrei um escrito de José Régio, de finais da década de quarenta, do século passado, denominado “O Recurso ao Medo”, publicado num opúsculo dos Serviços da Candidatura do General Norton de Matos – artigo esse que tinha sido interdito pela Censura, no jornal República.
A intenção de relembrar estas palavras, sem as descontextualizar, prende-se com o arrepio que a oportunidade e a actualidade do seu conteúdo nos causam. Assustam-me os tempos presentes nos propósitos anunciados e nas intenções escondidas, porque estamos, obviamente, em tempos temerosos e de recurso ao medo.
«Na luta que actualmente se trava em Portugal entre duas formas de pensar e sentir, de governar e de ser — um poderoso elemento há com que jogam os nossos antagonistas: o medo. «O medo é que guarda a vinha», diz-se. Em grande parte, tem sido o medo que tem guardado a actual Situação. Pode, ainda, ser o medo quem melhor a defenda. Não só em Portugal como em quaisquer países onde um regime conquistou o poder pela força, e pela força impera, esse poderoso inimigo da alma se agigantou a ponto de tapar o horizonte.
Inimigo da alma, digo: porque é o medo que tolhe até os impulsos mais generosos, faz desistir até das aspirações mais justas, afoga até o grito mais espontâneo, e, em suma, corrompe e assombra até a mais clara visão da vida. Pelo medo tica a alma pequenina, embaraçada, inerme, torpe. Encolheu-se – dizemos nós de quem teve medo de agir. E não há imagem mais justa. Não admira que cultivem o medo (pois até inconscientemente o cultivariam!) todos os regimes autoritários todos os governos dum partido exclusivo.
Pelo medo das represálias que a imaginação inquieta lhes sugere, se agarram sempre mais todos os governantes tirânicos a um poder que a violência conquistou, e a violência mantém. Assim como pelo medo das sevícias que sobre eles poderão exercer os governantes poderosos, os vão sofrendo e se vão calando os governados infelizes. Quem melhor sustenta a injustiça social – é, muitas vezes, o medo mútuo.
Não quero falar em represálias, não quero falar em sevicias, não quero falar em tiranias, a propósito do regime que há duas boas dezenas de anos se nos impôs. Não quero... porque não quero. Mas há uns bons anos que grande parte do povo português – deste povo que somos nós todos, e não só quem os governantes decretam – vive sob o entorpecedor império do medo. Também aqui pretendo não exagerar, e antes ser comedido. Nada é preciso exagerar, para se provar não poder eternizar-se a estranha situação em que temos vivido. Sim, admito não se tratar entre nos do medo de terríveis torturas, vinganças e repressões. Não é, propriamente, pavor, o medo que nos tem vindo tolhendo. Mas é o medo indeciso, flutuante, hesitante, vago, mole, continuo... O medo supremamente desmoralizador.
Por exemplo um jornalista está escrevendo calorosamente um artigo. Súbito, hesita; detém-se, arrefece: teve medo! Saíram-lhe umas frases sinceras que a Censura vai cortar; todo o seu artigo ficara truncado, em não sendo suprimido, por causa dessas frases sinceras; o director do seu jornal vai ficar aborrecido com ele por tais complicações…
- Tudo isto é o diabo! E o pobre jornalista encolhe-se, desiste da sua sinceridade. Um professor está estudando o programa que lhe deram a cumprir; um artista está compondo uma sua obra; um simples ciclatão está conversando no café com um amigo; um sociólogo ou um filantropo estão encarando certos aspectos da vida social; um trabalhador ou um proprietário rural estão reflectindo (cada um como pode) nos pequenos ou grandes problemas que lhes interessam – e sobre o seu ombro há qualquer mão que mal pesa mas o não larga, mas importuna e repugna, mas desviriliza. É o tal medo mole e continuo. O professor receia nunca poder servir-se da sua experiência para, de qualquer modo, colaborar, desde já ou mais tarde, na organização dos programas que há-de cumprir. Estudar e criticar o programa que lhe deram – pode parecer uma indisciplina perante os seus superiores (Entre parênteses: havia, em Portugal, uma revista de professores do Liceu, que era modesta mas livre, Criou-se, depois, uma revista oficial dos mesmos professores... e acabaram ambas: a primeira porque era livre, a segunda porque o não era. Feche-se o parênteses). Igual receio oprime todos os meus outros tipos de exemplo: O artista receia que a sua obra seja impedida de circular, porque certas suas páginas podem ser tidas por alusivas ou arrojadas. O simples cidadão baixa a voz ao falar com o amigo, porque há na mesa ao lado uma cara desconhecida; e ele receia que seja a dum polícia de informação. O sociólogo, o filantropo, o trabalhador, o proprietário rural, chegaram, talvez, a certas conclusões que gostariam de tornar públicas e ver discutidas. Mas antecipadamente desanimam... e só encoIhem: poderiam ter de ir longe de mais para justificarem as suas conclusões!
Assim por diante. Neste pais cujo «peito forte» Camões cantou, vive-se, há uns bons anos, sob a sombra desmoralizadora do medo. Dir-me-ão que tais receios são infundados? Admitamos que o sejam algumas vezes. Sabe toda a gente que o não são muitas outras! O fenómeno patente é que muita gente, hoje, não rende nada, por medo; obedece, por medo; se filia em certas associações, por medo; vai a missa e faz sinais da cruz, por medo; apoia a actual Situação, por medo. Do ponto de vista do psicólogo e do moralista (pois destes pontos de vista tenho vindo falando), pergunto: Será o medo elemento com que deva jogar uma doutrina que só propôs moralizar a nação, restituí-la à sua unidade espiritual, reconquistá-la para a sua grandeza histórica? A disciplina, a prudência, a ordem, o respeito – que evidentemente são virtudes, e de modo nenhum alheias ao ideal democrático – poderão, realmente, ser fins de que o medo seja um meio? Poderá gerar o medo algo que não seja a hipocrisia, a cobardia, a duplicidade, a manha, o comodismo, o latente espírito de revindicta adiada? Infelizmente, só quem não saiba ou não queira ver – deixará de ver como têm progredido entre nós, em certos sectores, características tão alheias àquele «peito forte» que Camões exaltou…
Ora bem: nesta luta que actualmente se vem travando entre os dois candidatos à Presidência da República, é ainda com o medo que esgrimem (não quero dizer todos, direi muitos) muitos partidários do senhor Marechal Carmona. Aos pobres dos portugueses, já sobejamente atemorizados, que apontam eles para os desviar do candidato proposto pela Oposição? A Iiberdad0 desenfreada, a desordem indomável, a espada suspensa do comunismo, o puro retrocesso a uma época da perturbação, a cega destruição de toda a obra ultimamente realizada.
É espantoso, mas exacto: depois duma guerra em que se lutou (pelo menos assim se proclamou, o que já é honrar o ideal democrático) por um mundo mais feliz e mais livre, os defensores do nosso chamado Estado Novo não podem conceber Democracia senão como sinónimo de real anarquia e licenciosidade. Não podem admitir mentores e dirigentes democratas senão como homens impotentes para criar uma ordem. Não podem ver na liberdade de expressão do pensamento, senão uma porta aberta ao abuso. Não podem supor que se mantenham as lib0rdades essenciais, senão por uma sufocante restrição destas mesmas liberdades. Nem podem sequer, crer na obra positiva do Estado Novo – pois não temos de negar o que de positivo possa ter realizado o Estado Novo — senão como coisa tão frágil, tão destrutível, tão efémera, que imediatamente seria aniquilada pelos raivosos adversários triunfantes.
Ao fim e ao cabo, porém, uma dúvida me fica: serão, na verdade, sinceros estes nossos antagonistas? Nada poderão, na verdade, conceber, admitir, ver, supor, crer, senão aquilo que dizem? Ou antes será que se servem do medo – esse medo que torna a alma pequenina, embaraçada, inerme, encolhida – para continuaram manietando um povo que já ousou dizer não aos seus reis, quando lhe parecia que os seus reis exorbitavam'?»
José Régio
[“O Recurso ao Medo", publicado em Depoimento contra Depoimento, edição dos serviços centrais da candidatura do General Norton de Matos.1949]
«A
actual classe dominante nunca será capaz de resolver a crise, porque ela é a
crise! E não falo apenas da classe política, mas da educacional, da que
controla os média, da financeira, etc… Não vão resolver a crise porque a sua
mentalidade é extremamente limitada e controlada por uma única coisa: os seus
interesses.»
Rob
Riemen
Sou um leigo ou em forma menos simpática, um analfabeto,
quanto ao empirismo teórico da ciência económica e financeira e os seus ditames
funcionais, pelo que o texto que se segue é, acima de tudo, resultado do
conhecimento adquirido na leitura do superficial e da experiência sentida no
quotidiano, e a sua publicação tem mais a ver com uma intenção de partilha de
questões e emoções profundas do que expressar opinião e determinar conceito sobre
o deve e haver cientifico que, em aplicação concreta, resolva o entulhamento
em que estamos todos metidos.
Esta
manifestação escrita, também, pode ser vista como um exorcismo aos demónios que
me atormentam a alma e que querem apoderar-se do meu tempo, retirando-me a
capacidade e a consciência de ser senhor do dia e da hora presente e, no
usufruto dessa condição, poderem transformar incessantemente os meus desejos e
os meus sonhos em realidades perdidas.
Por
estes dias escrevi que me
sentia realizado e, por isso feliz, mas, ao mesmo tempo, dominava-me um
sentimento de preocupação e tristeza. Como explicação desta aparente
incongruência, acrescentava que os dois primeiros sentimentos deviam-se ao
facto da minha filha Maria, aos vinte anos, ter concluído a licenciatura em
Arte e Multimédia-variante fotografia, pela Faculdade de Belas Artes,
salvaguardando com a conveniente e necessária declaração de que a sua graduação
académica tinha sido obtida com frequência completa e dedicada de 3 anos, sem
equivalências nem reconhecimento de créditos curriculares ‘relvalianos’; E, rematava o meu desabafo, dizendo que os dois
estados de espirito subsequentes explicavam-se porque prevejo a incerteza
pessimista do seu futuro, neste promontório agreste que deixou de ser as “madrugadas que se esperavam",
"inteiras e limpas" para em
"Liberdade habitarmos as substâncias
do tempo" e se transformaram numa nova "noite" e num outro "silêncio",
corrompido no sonho e no desejo de não haver, apenas, como alternativa
consequente, uma diáspora forçada para outros lugares.
É
com este estar de dor permanente e crescente angustia que vivo os momentos do
meu tempo, mesmo aqueles que se identificam com as alegrias da vida.
Entre
o muito que aprendi com os meus mestres da Faculdade de Letras, de Lisboa, foi
de que as experiências passadas e os seus consequentes estudos dizem-nos, por
si, muito do que devemos fazer para resolver os dilemas actuais. Ora, a constatação
que faço sobre a nossa realidade de momento é que, infelizmente, pouco ou nada
serve o conhecimento adquirido e o registo da história, porque as gerações que
hoje detêm o poder – umas, reconhecidamente entrelaçadas numa rede promíscua de
famílias político-financeiras de interesses globalizados, outras, educadas e
estruturadas nas máquinas juvenis dos aparelhos das organizações políticas –,
pouco, ou absolutamente nada, estão interessados em afastar a humanidade dos
ditames do caminho imposto, mesmo que isso represente sofrimento, miséria, medo
ou ódio decorrente. Há 70 anos atrás, o mundo de então, abriu a caixa de
pandora soltando a ferocidade das balas e dos ódios ideológicos, em nome do
espaço vital e de mundos ideológicos antagónicos; Hoje, o domínio do tempo e do
espaço de todos nós não anda de suástica na manga da camisa nem faz desfiles
nocturnos iluminados com archotes e fogueiras de livros excomungados; Hoje, nas
chancelarias do poder político e nos escritórios envidraçados das companhias
transnacionais, lá bem nos cocurutos do céu, o bater de tacões e o levantar dos
braços para a frente recto, com a palma da mão para baixo tem outros sinais e
outros comportamentos, mas a linha de pensamento é a mesma; Hoje, as armas
usadas são as sociedades económicas em que vivemos e as suas justificações nas
dependências dos movimentos dos mercados, enquanto que as munições disparadas
são as intencionadas incapacidades de proporcionar a oportunidade, numa
perspectiva arbitrária e desigual de distribuição da segurança, da riqueza e
dos rendimentos, a par da ideia de que é a escassez de trabalho que determina a
necessidade de impor a resignação servil do antes pouco do que nada.
Nesta
linha de pensamento[i],
sobre o actual momento de crise económica e financeira que assiste o mundo
ocidental, em geral, e o nosso país em particular, perspectivamos o problema da
seguinte forma esquemática: Estamos em guerra! Permanente e vertiginosa, extremada
na essência da Luta de Classes.
Somos todos novos ‘servos da gleba’, vivendo em tempos de
realidades cruéis, em que podemos constatar que o apregoado “Estado de Direito”
encontra-se em tal crise de legitimidade e representatividade que nos leva a
construir a ideia de que a democracia, a liberdade, a igualdade, a justiça e os
direitos humanos são, apenas, fracassos da nossa democracia moderna e que,
afinal, se confundem com um estado totalitário, permanentemente, reaccionário.
Academicamente, aceitamos que o fascismo é uma doutrina
totalitária e que em passado recente se manifestou como corrente prática de uma
política de acção que se opunha, violentamente, a qualquer orientação liberal,
socializante ou democrática. O fascismo de hoje, em ascensão na política
internacional, adoptou-se ao sistema e equilibrou as suas manifestações de
poder, enquadrando as suas posturas de arregimentação ideológica com uma nova
severidade económica, social e cultural, encontrada na abstracção das
realidades e na apatia e na indiferença para com todos aqueles que estão fora
da elite social privilegiada. Hoje a xenofobia fascista não é, apenas, para com
os emigrantes ou estrangeiros, para com os comunistas, negros, judeus ou
homossexuais, hoje os próprios cidadãos, indiscriminados e fora de qualquer
rotulagem sociológica, sofrem as represálias deste neofascismo, disfarçado de
híper liberalismo fundamentalista.
Perante
esta análise e a frieza da realidade que vivemos, neste começo da segunda
década do século XXI, atrevo-me, em consonância com a leitura da concepção de Carl Schmitt, de que o “soberano é aquele que decide sobre a excepção”, a afirmar que os
actuais governantes portugueses estão a implantar, sorrateiramente, um Estado
autoritário, de negação e anulação de direitos, dentro da ordem democrática; E,
como todo e qualquer estado de excepção, via de regra, segundo o filósofo
italiano Giorgio Agamben, tem a possibilidade da norma jurídica aplicada
exceder-se a si mesma, Portugal vive, neste preciso momento, sem chamamento às
teorias da conspiração e num limite da lei constitucional, um estado de
excepção, como forma de regra no paradigma político dos estados contemporâneos.
Com a
supressão de direitos e regalias, adquiridos pelo mundo do trabalho ao longo
das últimas quatro décadas, numa temporalidade a perder de vista (por muito que
aparente ser algo de cariz temporário e restrito a situações limites), o actual
governo pretende transformar a excepção da medida, como justificação da
imperiosa necessidade de corrigir uma situação momentânea de deficit e de cumprimento de compromissos
assumidos, numa eterna e permanente normalidade. Ora, o que a História nos tem
demonstrado é que as pretendidas regras de austeridade se transformam em
pobreza, em exclusão social e em violência; E, seguindo as leituras dos
exemplos dos estados de excepção aplicados em prolongamentos de tempo, torna-se
fácil prever que a actuação governamental culminará não no exercício de uma
política com intuito de restabelecer os parâmetros anteriormente existentes,
mas numa combinação de gestão de austeridade com coerção renovada. Ou seja, o objectivo
do governo é recriar uma figura de
cidadão sem qualquer direito, ou seja, o novo servo da gleba e,
consequentemente, propiciando a instalação de um espaço de poder, de mandos e
desmandos de um novo ‘soberano’: o ‘mercado’.
Podemos
consolidar esta nossa observação relembrando a dualidade existente no Estado de Excepção. A primeira, identificada
como principal característica, através dos processos de criação das condições
para que haja vazios legais, permitindo, dessa forma, obter-se o pretexto para
legitimar as suas decisões, num procedimento de constante ignorância grosseira
da constitucionalidade das acções a aplicar e da incompatibilidade criada com as
leis em vigor: E, em segundo lugar, o seu habitual modo de proceder nubloso e
de aproveitamento das zonas cinzentas que medeiam as normas e a sua violação.
Desta
forma, o Estado de Excepção não precisa ser constitucionalmente decretado, há
uma coexistência com o Estado Democrático de Direito, com certo ar de
normalidade jurídica, mas o que se revela é a absoluta falta de códigos, regras
e leis quando o assunto é o estrangulamento violento, por parte do governo
hiperliberal,da população trabalhadora, em absoluta violação
da vida humana. As precárias condições que a maioria da população portuguesa já
enfrenta (e perspectiva-se que venha a continuar a enfrentar), estão muito
aquém de qualquer direito humano e civilizacional vivido nos países europeus
ricos e germanistas dominantes. A nossa vida está, neste momento, muito mais
próxima da miséria do terceiro-mundismo do que da riqueza ocidental; Este
governo está, de todo, mais interessado em nos transformar em servos da gleba,
construindo um novo modelo de produção ‘neofeudal’, em que no topo da pirâmide
estarão os senhores detentores do poder económico, independentemente de serem
portugueses, alemães, americanos, sauditas ou chineses, no meio, eles próprios,
como bons colaboracionistas, capatazes ou testas-de-ferro, em lugares ministeriais
ou de conselhos de administração e, na base, numa total e completa
subjuntividade, a maioria da população.
Num paralelismo de pensamento com o filósofo italiano Giorgio
Agamben, podemos, também, desmontar o conceito de Estado de Excepção para
definir o regime político português contemporâneo, envolvendo a actual vida
política lusa numa situação de enfeudamento ao neoliberalismo europeu, de
influência germanófila, quanto aos valores e métodos de aplicação dos modelos
económico-financeiros, estabelecendo que a
coexistência entre o Estado democrático de direito e o Estado do direito produz
um espaço político paradoxal de indeterminação, onde funciona a violência e a
arrogância das decisões em detrimento dos direitos e interesses dos comuns cidadãos.
Um
estadista português, desaparecido em Dezembro de 1980, em entrevista ao Jornal
«A Capital», publicada em 21 de
Janeiro de 1975, terá reconhecido que «Quem
tenha o mínimo de conhecimento da história da humanidade ou esteja atento ao
panorama social em que vive, não pode evidentemente ignorar a luta de classes.
É inegável que a divergência de interesses entre os vários grupos sociais tem
conduzido uns à conquista do poder em detrimento de outros, tem conduzido à
existência de exploradores e explorados e à contradição ainda hoje dominante na
nossa sociedade: enquanto alguns portugueses detêm os meios de produção, a
esmagadora maioria não tem, para sobreviver, senão a força do seu trabalho».
No século passado, António Sérgio interrogou-se, sobre as elites
literárias portuguesas, porque é que havia tanta vilania entre os «"intelectuais" desta terra, e
tanto escarninho odiador de toda reverberação do espírito». Fê-lo, apenas,
sobre este mundo intelectual porque não chegou a conhecer o Portugal do século
XXI. Porque se assim fosse, decerto, que me autorizaria citá-lo, abrindo o seu
dizer, a todos os interlocutores da contemporaneidade política nacional,
questionando-os porque é que o seu povo sofre o desprezo e o abandono, enquanto
a‘sarça da retórica’, o faz perder, definhar ou morrer no que ele
tinha de bom, de probo, de saudável, de inteligente e de nobre.
Independentemente do tempo e do propósito, contínua pertinente,
legítima e actual a interrogação sergiana,
porque as fatalidades e as
apatias, as angústias e as dúvidas encontradas no presente são as mesmas que os
nossos pais e os nossos avós conheceram no passado salazarento. Hoje,
perseguem-nos no tempo, as gladiaturas das incertezas do futuro, manifestadas
em modelos cegos e totalitários que, na substituição de princípios e de noções de
equidade social e de respeito pela vida e pela civilidade, impõem medidas de
querer.
Enfim! As realidades do
nosso “fado” em nada mudaram, apenas as formas de se manifestarem e os seus intervenientes,
porque, de facto, continuam a ser tempos de dança política sem rosto ou,
simplesmente, das ditaduras subtis pela existência da falta de alternativas.
Continuamos a viver no descrédito total do papel da função e do desempenhar
político, sustentado pelos continuados desgovernos e corrupções dos aparelhos
governativos e pelas viciadas e vendidas promessas sobre a “terra prometida”,
gritadas tantas vezes nas bancadas da Assembleia da República, agora, decretada
vazia do seu conteúdo republicano, enquanto esquecida na comemoração do seu dia
e invertidamente hasteada na oficialidade dos mastros públicos.
Portugal,
vive há quarenta anos num incumprimento de alteração das suas profundas
desigualdades. Os projectos de transformação da Sociedade, defendidos pelas
vozes dos políticos e partidarizadas nos programas eleitorais, assentam,
sucessivamente, na necessidade em reformas e nos seus propósitos de alterar
profunda e irreversivelmente as estruturas políticas, económicas, sociais e
culturais do País. Todos estes intervenientes ajeitam a sua sapiência partindo
da análise da realidade portuguesa e dos paralelismos internacionais,
enaltecendo as grandiosidades estrangeiras mas registando a pretensão de não
copiar modelos. Todos estes intervenientes têm como meta a conquista da
igualdade e a eliminação progressiva das contradições e desigualdades
económicas, sociais e culturais. Todos eles pugnam pela liberdade e reconhecem
as incongruências responsáveis pela luta de classes.
Mas,
todos eles, continuam a contribuir com os seus desmandos para que haja cortes de
estradas e capas de jornais. Resumidamente, como escrevi há dez anos atrás, «São os desencantos pelo reconhecimento de
que o único desenvolvimento declarado é o do obscurantismo, da ignorância e da
ausência de soluções que, apenas, alteram os dados de podermos ser mais que os
outros, porque se de seis estádios apenas se precisava, fizemos dez no culto do
princípio da vaidade e da fachada. Em suma, são os tempos em que também se vive
na renúncia, com a indiferença, o cansaço e o pessimismo demolidor de quem sabe
que para haver a diferença desejada, vamos ter de entrar numa outra lista de
espera até “sentirmos o desejo de ser civilizados e, não apenas,
contentarmo-nos só em parecê-lo”.
***
A propósito, esqueci-me de observar que o estadista português
desaparecido em Dezembro de 1980, mais precisamente no dia 4, se chama Sá
Carneiro. Estou, hoje, com a sensação que, lá para os lados da rua São Caetano,
à Lapa, a fotografia deste político deve estar arraiada da parede, porque o seu
pensamento, de certeza absoluta, já não faz parte daqueles que se intitulam
seus herdeiros.
[1]Aliás, é nesta linha de pensamento que o
economista norte-americano Paul Robin Krugman, prémio Nobel da
Economia em 2008 e actual professor na Universidade de Princeton, nos apresenta
a sua tese sobre o actual momento de crise económica e financeira que assiste o
mundo ocidental (“Acabem com esta crise.
Já!”, Lisboa, Presença, 2012). Paul
Krugman é um crítico dos movimentos teóricos da “Nova Economia”, resultantes do
progresso tecnológico e da globalização económica, do final da década de 1990. Krugman é, habitualmente,
considerado um seguidor da escola keynesiana, foi um acérrimo crítico da administração Bush e da sua
política interna e externa - críticas apresentadas na sua coluna do The New
York Times –, tendo escrito mais de duas centenas de artigos e vinte livros
sobre economia e finanças. A 27 de Fevereiro de 2012 recebeu o grau de Doutor Honoris
Causa da Universidade de
Lisboa, Universidade
Técnica de Lisboa e da Universidade Nova
de Lisboa.
Nas minhas andanças de investigação literária e arquivística, tenho-me deparado com situações que, na sua substância, na sua oportunidade ou no seu propósito, se aproximam das realidades vividas no meu tempo.
É óbvio que o encaixe da observação deste passado na perspectiva de interpretação do presente será, sempre, diferente, independentemente, de podermos estar perante uma leitura de simples coincidência de acontecimentos, de uma casualidade provocada por iguais razões ou, até, por reconhecimento de semelhanças, influenciado pelos condicionalismos do espirito de época ou de sensibilidades ideológicas militantes. Todavia, podemos afirmar, com base no saber adquirido, que o acontecimento de hoje é (mesmo com o desconto da subjectividade da interpretação), a repetição do passado.
Ora, perante esta tese, somos de observar que os sentires, as angústias, as dúvidas e os temores do nosso quotidiano são idênticos às vividas pelos nossos pais, pelos nossos avós e, por todos aqueles que nos antecederam. Decerto, que as conversas que dantes se faziam no adro da Igreja, depois da missa e, hoje, se fazem em redor da mesa do café, falam a mesma linguagem de desespero, de incompreensão, de raiva e de incapacidade.
Como nos escreveu Miguel Real, em O Último Eça (2006), na diferença do tempo e passados cento e quarenta anos, vivemos o mesmo Portugal que Eça conheceu, onde as instituições, também, estão aberradamente constituídas, em que a classe política que nos governa é de uma forma geral medíocre e ignorante, em que o Parlamento está transformado em “centro de dia” de bate-palmas focídeos, desproporcionado ao tamanho do país e desencontrado dos seus interesses, em que os patrões se sinonimam em empresários especulativos, mais preocupados com renovação do parque automóvel pessoal do que com as novas tecnologias produtivas, em que os trabalhadores se prendem às vontades partidarizadas dos seus sindicatos, em que as elites sociais vivem obstinadas na fama mundana de o ser a qualquer preço, desde que isso não implique o ético “suor” do estudo e do trabalho; Enfim, um mesmo povo bárbaro, inculto e manobrado em crenças, clubites, passerelles dos ditames da moda ou ociosidades imbecis, agora mais próprias de deambulações por espaços comerciais ou visionamentos de serões televisivos. Como nas Farpas queirosianas «o país vive numa sonolência enfastiada… Não é uma existência, é uma expiação. [E] a certeza deste rebaixamento invadiu todas as consciências, [porque, é fácil ouvir] por toda a parte: o país está perdido!»
Igualmente, neste paralelismo do viver histórico, encontrado nas conversas dos avós dos nossos avós e nos desabafos do nosso tempo, não podemos deixar de observar que, também, existem interpretações idênticas sobre as situações de sossego, agrado ou realização. Nem tudo se resume a um pessimismo absoluto, apesar de ser difícil compreender porque é que, ainda, não se aprendeu com o passado e se repetem, constantemente, os mesmos erros. Ou seja, numa síntese de razão de resposta, sem pragmatismos fundamentalistas nem fugas para zonas cinzentas, admitimos que o Homem é um ser bipolar que age em sociedade, na transferência do tempo, dos momentos e dos exemplos, numa postura de magnânima solidariedade ou numa gananciosa individualidade, por isso a dor (ou a alegria), o desassossego ou a acalmia de hoje é a mesma de ontem. A solução prioritária, que merece o nosso cuidado e a nossa atenção, encontramo-la na ideia de Rob Riemen: “quem não aprende com a História está condenado a vê-la repetir-se”.
Resta-nos, por fim, apontar a leitura deste documento, encontrado perdido por entre papéis municipais de outros tempos e deixar o convite de se fazer o paralelismo e a repetição na História:
«Senhores Deputados da Nação Portuguesa
A Câmara Municipal do Concelho de Sintra e os abaixo assinados, proprietários do mesmo concelho, vêm mui respeitosamente pedir à Câmara dos representantes do povo, para não autorizar com o seu voto a proposta do Exº Ministro da Fazenda que vem aumentar com mais 6% as já pesadíssimas contribuições do Estado.
Senhores, ninguém desconhece as graves dificuldades com que a agricultura há muito está lutando no nosso Pais; Todos sabem que a propriedade rústica, quando muito, pode render 3% sobre um capital que a maior parte das vezes não é realizável; Todos conhecem os efeitos desgraçados da filoxera e do míldio; A baixa de preço nos mercados estrangeiros das nossas frutas de espinho, concorrência nefasta que nos está fazendo a América com as suas frutas de caroço próprias para conservas, finalmente a decadência de preço em todos os cereais, que junto ao extraordinário aumento de salários, torna quase impossíveis em determinadas zonas estes géneros de cultura.
Senhores, em vista das razões expostas esperam os abaixo assinados que a Câmara dos Representantes do Povo, em harmonia com a sua origem não sancione com o seu voto, um tão extraordinário aumento de impostos, que só uma administração nefasta e ruinosa poderia justificar.
Portanto os abaixo assinados esperam do patriotismo da Câmara dos Senhores Deputados que a proposta será rejeitada.
E. R. M.cê
[seguem-se 265 assinaturas]»
FICHA DOCUMENTAL
1. [DATA]
Documento não datado. Pela apresentação gráfica e conteúdo informativo somos de atribuir uma datação compreendida no último quartel do século XIX. Aliás, a assinatura que encabeça o documento permite-nos justificar a nossa observação (António Maria Dias Pereira Chaves Mazziotti, natural de Colares, foi Secretário da Junta do Crédito Público, em representação do Governo e, em várias legislaturas, de 1880 a 1908, foi Deputado pelo Partido Progressista, representando o Círculo de Sintra – Para complemento informativo, ver: de Fernando Morais Gomes reinodeklingsor.blogspot.com/.../chaves-mazziotti-deputado-de-sintra... [página de 13 de Maio de 2011]).
2. [TIPOLOGIA DOCUMENTAL]
Abaixo-assinado
3. [TRADIÇÃO DOCUMENTAL]
Manuscrito
4. [AUTOR E DESTINATÁRIO]
Autor Colectivo. Destinatário – Câmara dos Deputados
5. [ASSUNTO/RESUMO/TÍTULO/]
Abaixo-assinado pedindo orientação de voto contrária à proposta do governo de aumento de impostos
6. [DADOS EXTERNOS]
Papel
200mm X 300mm
8 Fólios 7. [PROCEDÊNCIA]
Ignorada
8. [COTA]
Por atribuir
9. [Observações]
Critério de leitura paleográfica com utilização da ortografia antiga, de 1945, mantendo-se a pontuação, os termos e as formas gramaticais usadas no texto original.
Nas minhas andanças de investigação literária e arquivística, tenho-me deparado com situações que, na sua substância, na sua oportunidade ou no seu propósito, se aproximam das realidades vividas no meu tempo. É óbvio que o encaixe da observação deste passado na perspectiva de interpretação do presente será, sempre, diferente, independentemente, de podermos estar perante uma leitura de simples coincidência de acontecimentos, de uma casualidade provocada por iguais razões ou, até, por reconhecimento de semelhanças, influenciado pelos condicionalismos do espirito de época ou de sensibilidades ideológicas militantes. Todavia, podemos afirmar, com base no saber adquirido, que o acontecimento de hoje é (mesmo com o desconto da subjectividade da interpretação), a repetição do passado. Ora, perante esta tese, somos de observar que os sentires, as angústias, as dúvidas e os temores do nosso quotidiano são idênticos às vividas pelos nossos pais, pelos nossos avós e, por todos aqueles que nos antecederam. Decerto, que as conversas que dantes se faziam no adro da Igreja, depois da missa e, hoje, se fazem em redor da mesa do café, falam a mesma linguagem de desespero, de incompreensão, de raiva e de incapacidade. Como nos escreveu Miguel Real, em O Último Eça (2006), na diferença do tempo e passados cento e quarenta anos, vivemos o mesmo Portugal que Eça conheceu, onde as instituições, também, estão aberradamente constituídas, em que a classe política que nos governa é de uma forma geral medíocre e ignorante, em que o Parlamento está transformado em “centro de dia” de bate-palmas focídeos, desproporcionado ao tamanho do país e desencontrado dos seus interesses, em que os patrões se sinonimam em empresários especulativos, mais preocupados com renovação do parque automóvel pessoal do que com as novas tecnologias produtivas, em que os trabalhadores se prendem às vontades partidarizadas dos seus sindicatos, em que as elites sociais vivem obstinadas na fama mundana de o ser a qualquer preço, desde que isso não implique o ético “suor” do estudo e do trabalho; Enfim, um mesmo povo bárbaro, inculto e manobrado em crenças, clubites, passerelles dos ditames da moda ou ociosidades imbecis, agora mais próprias de deambulações por espaços comerciais ou visionamentos de serões televisivos. Como nas Farpas queirosianas «o país vive numa sonolência enfastiada… Não é uma existência, é uma expiação. [E] a certeza deste rebaixamento invadiu todas as consciências, [porque, é fácil ouvir] por toda a parte: o país está perdido!» Igualmente, neste paralelismo do viver histórico, encontrado nas conversas dos avós dos nossos avós e nos desabafos do nosso tempo, não podemos deixar de observar que, também, existem interpretações idênticas sobre as situações de sossego, agrado ou realização. Nem tudo se resume a um pessimismo absoluto, apesar de ser difícil compreender porque é que, ainda, não se aprendeu com o passado e se repetem, constantemente, os mesmos erros. Ou seja, numa síntese de razão de resposta, sem pragmatismos fundamentalistas nem fugas para zonas cinzentas, admitimos que o Homem é um ser bipolar que age em sociedade, na transferência do tempo, dos momentos e dos exemplos, numa postura de magnânima solidariedade ou numa gananciosa individualidade, por isso a dor (ou a alegria), o desassossego ou a acalmia de hoje é a mesma de ontem. A solução prioritária, que merece o nosso cuidado e a nossa atenção, encontramo-la na ideia de Rob Riemen: “quem não aprende com a História está condenado a vê-la repetir-se”. Resta-nos, por fim, apontar a leitura deste documento, encontrado perdido por entre papéis municipais de outros tempos e deixar o convite de se fazer o paralelismo e a repetição na História: 'Senhores Deputados da Nação Portuguesa' «A Câmara Municipal do Concelho de Sintra e os abaixo assinados, proprietários do mesmo concelho, vêm mui respeitosamente pedir à Câmara dos representantes do povo, para não autorizar com o seu voto a proposta do Exº Ministro da Fazenda que vem aumentar com mais 6% as já pesadíssimas contribuições do Estado. Senhores, ninguém desconhece as graves dificuldades com que a agricultura há muito está lutando no nosso Pais; Todos sabem que a propriedade rústica, quando muito, pode render 3% sobre um capital que a maior parte das vezes não é realizável; Todos conhecem os efeitos desgraçados da filoxera e do míldio; A baixa de preço nos mercados estrangeiros das nossas frutas de espinho, concorrência nefasta que nos está fazendo a América com as suas frutas de caroço próprias para conservas, finalmente a decadência de preço em todos os cereais, que junto ao extraordinário aumento de salários, torna quase impossíveis em determinadas zonas estes géneros de cultura. Senhores, em vista das razões expostas esperam os abaixo assinados que a Câmara dos Representantes do Povo, em harmonia com a sua origem não sancione com o seu voto, um tão extraordinário aumento de impostos, que só uma administração nefasta e ruinosa poderia justificar. Portanto os abaixo assinados esperam do patriotismo da Câmara dos Senhores Deputados que a proposta será rejeitada. E. R. M.cê [seguem-se 265 assinaturas]» FICHA DOCUMENTAL 1. [DATA] Documento não datado. Pela apresentação gráfica e conteúdo informativo somos de atribuir uma datação compreendida no último quartel do século XIX. Aliás, a assinatura que encabeça o documento permite-nos justificar a nossa observação (António Maria Dias Pereira Chaves Mazziotti, natural de Colares, foi Secretário da Junta do Crédito Público, em representação do Governo e, em várias legislaturas, de 1880 a 1908, foi Deputado pelo Partido Progressista, representando o Círculo de Sintra – Para complemento informativo, ver: de Fernando Morais Gomes reinodeklingsor.blogspot.com/.../chaves-mazziotti-deputado-de-sintra... [página de 13 de Maio de 2011]). 2. [TIPOLOGIA DOCUMENTAL] Abaixo-assinado 3. [TRADIÇÃO DOCUMENTAL] Manuscrito 4. [AUTOR E DESTINATÁRIO] Autor Colectivo. Destinatário – Câmara dos Deputados 5. [ASSUNTO/RESUMO/TÍTULO/] Abaixo-assinado pedindo orientação de voto contrária à proposta do governo de aumento de impostos 6. [DADOS EXTERNOS] Papel 200mm X 300mm 8 Fólios 7. [PROCEDÊNCIA] Ignorada 8. [COTA] Por atribuir 9. [Observações] Critério de leitura paleográfica com utilização da ortografia antiga, de 1945, mantendo-se a pontuação, os termos e as formas gramaticais usadas no texto original.
sexta-feira, 14 de setembro de 2012
Hoje, sinto-me realizado e, por isso feliz. Mas, ao mesmo tempo, preocupado e triste. Os dois primeiros sentimentos devem-se pelo facto da minha filha Maria, aos vinte anos, ter concluido a licenciatura em Arte e Multimédia-variante fotogra...fia, pela Faculdade de Belas Artes (com frequência completa e dedicada de 3 anos, sem equivalências nem reconhecimento de créditos curriculares); Os dois estados de espirito subsequentes explicam-se porque prevejo a incerteza pessimista do seu futuro, neste promontório agreste que deixou de ser as «madrugadas que se esperavam", "inteiras e limpas" para em "Liberdade habitarmos as substâncias do tempo" e se transformaram numa nova "noite" e num outro "silêncio", corrompido no sonho e no desejo de não haver,apenas, como alternativa consequente, uma diáspora forçada para outros lugares.Ver mais
Mais de 50 anos, pessimista e descrente; Irascível com a estupidez humana; Heterossexual assumido e praticante; Pinga-amor inofensivo (próprio da idade), que adora apreciar a inteligência, a beleza, a sensualidade e a sensibilidade.